Tinha um ano, fugi de casa. Era pequeno
ainda, o suficiente para passar pelas grades. Por um descuido, sai sem rumo pelas
ruas.
De amores, vive aos montes. Sua maioria,
amores de televisão – elas enrolavam minha cabeça.
Porém, jamais encontrei amor
igual ao teu, meu bem. Quem para me abrigar da chuva se não você? Quem mais
para me dar de comer? E brincar comigo...
Agora, sou só. Rabugento, é meu
nome por aqui. Que contraste com outrora, quando chamado de dengoso, cheiroso e
macio. Mesmo quando eu era o treloso, era com carinho.
Como te achar, meu bem? Me acha! Espalha
jornais com minha foto, com meu nome. Que nome? Como eles me chamariam? E será
que já há outro em meu lugar? Outro tomando meus banhos e meus mimos. É triste
demais estar nesta vida sem você, na rua.

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