No meio de tanta loucura, pressa e falta de sentimento, criei um único lugar onde algo faria sentido,pelo menos para mim. Um lugar para confortar e acolher pequenas idéias e grandes sentimentos, embora a indiferença de muitos.

domingo, junho 19, 2011

Café para um, por favor.

Como de costume, saí de casa na mesma hora. O caminho foi silencioso e tranquilo. A esquina não me parecia mais tão longe quanto fora quando me mudei para esta estranha casa, a qual ainda não me conquistou por completo. Chegando ao pequeno e aconchegante Café, sentei-me na cadeira do canto, apoiado na vitrine, que me expunha completamente em minhas vestes não muito sociais. Sem me importar muito com o que os outros pensam, e sem deixar a rotina, chamei a garçonete, sempre de prontidão. Pedi o meu café, hoje, simples, com açúcar e um jornal. As notícias, sempre as mesmas. Ainda me pergunto por que insisto em comprar este amontoado de folhas.    
Naquela manhã fria, porém, algo me fugiu da rotina. Quando aqueles sininhos, estrategicamente colocados em cima da porta, balançaram, meus olhos foram jogados do caderno de esportes para uma figura notável, a qual eu me referi instantaneamente como "um delírio da solidão". Debaixo da misteriosa capa de chuva, e só agora notei que estava chovendo, havia uma criatura para a qual não vejo comparações nem descrições. Era simplesmente encantadora, embora simples para os padrões mortais. E lá vou eu a descrevê-la... Não posso.
Minhas mãos tamborilavam, agora longe do jornal, que fora arremessado no banco da frente poucos instantes após os sinos tocarem. Assim como borbulhava a máquina de café expresso, surgiam meus dedos em um ritmo frenético. 
A manhã havia deixado de ser fria, agora eu me sentia quente, tal qual meu café. Meus olhos seguiam cada gesto que ela fazia ao tirar sua capa e fechar o guarda-chuva. Os carros, ainda sonolentos nas ruas, apareciam com raridade, assim como ela sorria. Um sorriso deveras raro. O seu cabelo ondulado escondia uma pele branca, com pingos de chuva nas bochechas vermelhas. Suas mãos, em movimentos cuidadosos, retiraram um pequeno lenço de sua bolsa, que fora utilizado com mesmo cuidado para enxugar seu rosto. A pequena bolsa recebeu o lenço de volta com a mesma sutileza que o retirou. 
Sentou-se nos bancos a beira do balcão e pediu um pequeno expresso. A promoção do dia. A propósito, era uma quinta. Eram 07h13min de uma quinta pela manhã, e eu estava atrasado. Levantei, deixando paga a conta, e rumei para a minha casa que eu não apreciava.
Por fim, mais uma manhã como qualquer outra.

3 comentários:

Carine disse...

Tão lindo... Tão bem escrito. Ficou muito perfeito. Poucas pessoas conseguiriam sentir o momento tão bem.

* disse...

Menino você tem futuro como escritor! estou virando sua fã! isso parece trecho de um livro! por causa da riquesa em detalhes eu consigo até me colocar na cena!rsrs... :*

A•M disse...

Obrigado e espero que continue lendo e comentando. Obrigado mesmo.